segunda-feira, 5 de abril de 2010

Andar atrás.

Quando passamos por caminhos - literalmente falando - que em algum lugar do passado fora trilhado, seguindo-se as mesmas ruas, esquinas, morros, etc, é comum que nos venha aquele sentimento nostálgico, bem típico em algumas pessoas e nem tanto em outras, porém presente. A comparação entre os tempos não é difícil, principalmente se existe um período de tempo suficiente para nos remeter à reflexão, ou, pelo menos, a um passeio no passado. Mais importante e sublime que a comparação entre os tempos, passado e presente, é a comparação da pessoa que hoje és, com a que fora outrora, ou seja, do efeito do tempo em sua existência.
A sensação pessoal que tive, recentemente, foi a de quase imobilidade na linha do tempo: pareceu-me que o efeito do tempo mal tinha incidido em mim! Felizmente esse sentimento não passou de efêmeridade, pois, seguindo a lógica da questão, meus esforços de aproximadamente 6 anos haveriam sido praticamente em vão. É claro que, no caso, não estava a considerar apenas aspectos existênciais em si, mas uma certa gama de aspectos que nos envolve como, além de animais humanos, animais sociais. Logo percebi que, além de grande parte das variáveis que controla o nosso dia-a-dia permanecerem bastante parecidas com as dos "old times", muita coisa mudou. As vicissitudes da vida agiu de forma veemente em minhas estruturas conceituais. Logo notei que os pensamentos, análises, críticas que afloraram em minha mente durante a longa e esforçada caminhada divergiam bastante daqueles de outrora. Só então me dei conta de que tal mudança, tão complexa, devastadora e desprovida de controle pode ser considerada o maior ganho durante tal trajetória da minha vida. O que parecia uma caminhada estática ou retrógrada, em minutos tomou uma nova paisagem, ao decorrer da caminhada.
Não é hoje que eu prezo pelas "pequenas" e "simples" coisas da vida. Talvez isso explique a impressão imediata do insucesso em relação às mudanças de algumas variáveis do dia-a-dia que deveriam ter ganhado novo patamar, mas talvez também leve à investigação de coisas tão unicas, tão dignas de serem apreciadas em suas particularidades, e, por fim, ajude a responder, senão pelo menos sentir o que faz parte do "sentido da vida"...